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CASA DE FADOS

fados e putas, futebol e toiros, são as interligações duma cultura à portuguesa. assim como o cozido, as pataniscas de bacalhau e o velho copo três. tinto.

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7.30.2003
 

O Fado e Futebol sempre andaram de mãos dadas. Quantas vezes, depois dum jogo importante, á saída para uma folga merecida, os intervenientes (do Benfica) só voltavam a casa às cinco ou seis da manhã depois de terem 'ido aos Fados'. Falo com conhecimento de causa mas que, por motivos óbvios, omito por razões de ordem ético-desportiva.
Mas lembro-me de que para entrar no Estádio da Luz necessitava de pedir ao 'senhor' que apresentasse melhor fisionomia um 'deixe-me entrar consigo...'. Olha se fosse hoje... ?
Então nós, 'os putos' desse tempo, tornávamo-nos símbolos dessa época sem o sabermos. Realizávamos o sonho de ver 'ao vivo' os nossos 'bonecos da bola'.
Quem, desse tempo, não se lembra de Luís Piçarra.
Ou um ou outro fado que desse para 'dizer mal' do Sporting. Como o de Coimbra por exemplo, quando vinham de lá com uma cabazada às costas.
'Aquilo' era um descanso moral para nós, benfiquistas, e uma arreliadora dor de cabeça para os putos sportinguistas da minha rua.




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7.26.2003
 


"A Bica, as Caravelas e o Tejo» foi o tema que a Bica apresentou este ano nas Marchas Populares. Retratou a ligação do bairro às actividades marítimas, proporcionadas pela sua proximidade ao rio Tejo. As caravelas do período das descobertas, pelo transporte de diversos produtos, motivaram o desenvolvimento comercial de toda a zona ribeirinha.
O bairro da Bica apresentou a marcha a concurso, pela primeira vez, em 1952, e logo nesse ano obteve a primeira classificação. Este lugar foi conquistado por mais cinco vezes, nos concursos de 1955, 1958, 1963, 1970 e 1992. Um bairro enraizado no Fado e nos Pregões de Lisboa. Este ano venceu novamente com a 'minha' Alfama logo atrás.
E quem não se lembra d' O miúdo da Bica?
Minhas senhoras e meus senhores: Fernando Farinha!




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7.23.2003
 

"Desde que existe a morte, imediatamente a vida é absurda. Sempre pensei assim."
Amália

Amália da Piedade Rodrigues nasceu na Rua Martim Vaz, na freguesia da Pena, próximo da Mouraria, em Lisboa. Os pais eram naturais da Beira Baixa mas radicados em Lisboa durante alguns anos. É a quinta de nove filhos. A data certa do nascimento é desconhecida: em documentos oficiais nasceu a 23 de Julho, mas Amália sempre considerou que nasceu no primeiro dia desse mês. Não é o que ficou declarado no Registo Civil. Para ela o que importava é que foi no tempo das cerejas e no signo do Leão. Mas ao que tudo indica o Belenenses era o clube da sua simpatia. Quanto ao fado da Mouraria... é para ouvir. E ler.

Ai, Mouraria
Da velha Rua da Palma,
Onde eu um dia
Deixei presa a minha alma,
Por ter passado
Mesmo ao meu lado
Certo fadista,
De cor morena,
Boca pequena,
E olhar trocista.
Ai, Mouraria
Do homem do meu encanto
Que me mentia
Mas que eu adorava tanto.
Amor que o vento como um lamento,
Levou consigo
Mas que ainda agora
A toda a hora
Trago comigo.
Ai, Mouraria
Dos rouxinóis nos beirais
Dos vestidos cor-de-rosa,
Dos pregões tradicionais.
Ai, Mouraria
Das procissões a passar
Da Severa em voz saudosa,
Da guitarra a soluçar.



Cantou no café Luso vários fados que hoje são ''clássicos''. Entre gente nobre e ilustre. Mas era com os mais desfavorecidos que ela mais gostava de se dar.
O Café Luso ocupa hoje as antigas cocheiras e adegas do Palácio de S. Roque, um dos edifícios que resistiu ao terramoto de 1755. As abóbodas originais ainda lá permanecem, desde o século XVII.
O Café Luso é também um espaço de cultura, onde já se fizeram experiências de síntese entre o fado e o teatro. Ao ouvir o fado no Café Luso percebe-se como a tradição se prolonga na voz dos jovens fadistas.
Foi também no Café Luso que surgiu uma das expressões idiomáticas usadas pelos portugueses: ''malta da corda''. A referência à ''malta da corda¿'', designa um tipo de pessoas que se distingue por preferir passar despercebido. Quando a expressão foi cunhada, servia para referir os ouvintes de fado do Café Luso que não tinham dinheiro suficiente para se sentarem à mesa: ficavam ao fundo da sala, para além de uma corda que delimitava o espaço que podiam ocupar. Foram esses, que queriam ouvir o fado mas que não conseguiam chegar às mesas próximas dos fadistas, que ficaram conhecidos como ''a malta da corda''.


Fazia hoje anos. Não digo quantos porque não se pergunta a idade a uma Senhora.




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7.20.2003
 


Numa casa de Fadistas também entram foliões e vários artistas de outras artes.
Noctívagos e povo das canseiras farto. Chulos e homens sem negócios. E outros que agora aqui não digo.
E é com a voz embargada pela saudade... hic... que posto aqui este post que não dá lume. Dos tempos de banhos em Carcavelos e Casas de Fado no Bairro Alto, passando aos velhos Montes Claros e flausinas engatadas na Luciano Cordeiro. E recordo com alegria as vezes que me levavas ao colo do Parque Mayer, devido a ter adormecido às tantas da noite com sete anos já espigadote. Senhoras e Senhores: Humberto Madeira, um dos meus padrinhos de batismo.
Ao levantar e ao deitar.
A primeira parte.
E a segunda.




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7.18.2003
 

sinto-me perto de mim
e prazenteio fidalgas
em luares de dias cheios
sou poeta maltratado
gente de alma alheios
e outros tantos dissabores
recordo em aqui um simples fado
a uma Helena dedicado
rosa azul dos meus amores




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7.17.2003
 

Hoje lembrei-me de Carlos Ramos. Um Fadista de outrora que adorava ouvir nos meus tempos de criança. Nos ''interlúdios'' da TV, no ''Serão para Trabalhadores'' ou nos programas de João Villaret , ouviam-se referências a este fadista e o seu fado mais famoso (Não venhas tarde) era interpretado por gente 'nova' como Carlos do Carmo, Francisco José e mais recentemente por um dos irmãos Câmara. Felizmente não foi o Júlio Isidro que o lançou. Mas naquela altura de o 'Amor é Louco', Carlos Ramos e Manuel de Almeida davam cartas. Assim como dar uma vista de olhos a uma breve resenha da História Fadista na opinião do meu amigo José Pracana.
Isto, sem cobrar um chavo.



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7.16.2003
 


Morreu Fernando Maurício. Uma voz do Fado e da Mouraria.

Maurício nasceu na Rua do Capelão, em frente à casa da mítica Severa, a 21 de Novembro de 1933. Aos 13 anos ganhou um concurso de fados e, graças a uma autorização especial da Inspecção de Espectáculos, iniciou a sua carreira profissional. Em 1954, após interromper a carreira por algum tempo, regressou em forma e instalou-se no Café Luso, a catedral do fado de então. A partir daí começou a ganhar fama.
Dois pequenos excertos de fados dele. Este e mais este.




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7.15.2003
 


Apontamento sobre a História do Fado

Uma das teorias sobre as origens do fado é que ele foi trazido pelos marinheiros, que o implantaram em Alfama como dança de bordel, grossa e obscena, sobretudo cantado à desgarrada. O fado do marinheiro que se cantava à proa das embarcações, misturado com as cantigas de levantar ferro e com as canções dos degredados, terá servido de modelo aos primeiros fados que se tocaram e cantaram em terra. Com uma aceitação crescente, o fado desempenhou depois um papel de aproximação do povo à aristocracia. Em meados do século XIX, o marialva Conde de Vimioso procurava a Severa, a mais famosa fadista de sempre, pelas ruas de Alfama. A partir de 1870, o fado sobe aos salões da nobreza boémia, tendo o próprio rei D. Carlos aprendido a tocar guitarra com o exímio guitarrista e autor João Maria dos Anjos.
Mas o Fado tem igualmente uma origem romântica. Os amores impossíveis, a fatalidade, a melancolia e a aceitação do destino pré-traçado são temas comuns das canções, que encontraram correspondência no sentimentalismo nacional.
Outra corrente defende que o fado já seria tocado no Brasil, sendo introduzido em Portugal quando a corte de D. João VI regressou a Lisboa. Só que, por essa ordem de ideias, a Severa nunca teria ouvido um fado¿
Apesar de aproveitado pela ditadura dos três "F" de Salazar (Fado, Fátima e Futebol), o fado não deixou nunca de ser a expressão espontânea, livre e autêntica das gentes da cidade.




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7.14.2003
 


Poderia começar pela Severa ou Ercília Costa, mas como ando em arrumações aproveito a boleia de quem foi minha vizinha na Calçada de Sant'ana para ir desopilando um pouco. Quer se queira ou não, é óbrigatório falar de Amália. E ela contava assim: "Dizia-me a minha família que aos 4 anos já ganhava a vida a cantar, pelas vizinhas que diziam, "ó Amália anda cá, canta lá esta". E eu cantava. * E depois lá pelos 7, 8 anos comecei a ouvir as vizinhas lavar a roupa na selha e cantar o fado, que eu não sabia o que era fado. Depois, aos meus 12 anos comecei, já internacional, a cantar os tangos do Gardel, que ouvia nas fitas, e vinha para casa sem saber o que dizia, mas ouvia o som, o som das palavras soava-me como parecia que era, e quase que era, porque no fundo como sabe a língua espanhola é muito parecida com a nossa, e para quem tem um ouvido e um poder dedutivo entende mais depressa do que uma pessoa que não tem ouvido, nem esse poder. Então, eu quase que imediatamente aprendia as coisas. E então cantava o Carlos Gardel todo."

Como não tenho o Gardel, aqui vai um cheirinho da pequena.



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Na década de 60 não havia tasca ou casa de putas que se prezasse que não tivesse um
E o Fado cantava-se assim.



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7.13.2003
 

Neste espaço não se tem tento na língua. Aquela com que se cospe para o chão e que a putalhada deita de fora para chamar a atenção dos cotas desajeitados e rabugentos que já não têm paciência para aturar as putas das crianças. A outra não.
Não vá vir aqui a 'minha' dizer que há um crime lesa-pátria-de-camões. Isso nunca. Que a Pátria também é minha. E da língua faço eu o que quiser.
Ora vá lá mais um fadinho.




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A oferta foi feita de tão boa vontade que a recusa era impensável! Lá entrei para os acompanhar na buchazita, pensando num naco de brôa de milho e num chouriçozinho. Na chamada "cozinha do forno", que é uma segunda cozinha, normalmente com borralho, fogão e forno a lenha que a maior parte das casas tem nas traseiras, estava a mesa posta: Pratos, copos, talheres, a tal brôa de milho, garrafa de tinto e... um tacho cheio de massa guisada com carne. A vontade de comer "a sério" não era muita, diga-se em abono da verdade, mas depois de ter aceite o convite era impossível recusar!
Ao som do Fado e tudo.




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